Vânia Natercia Azevedo de Arruda, 79 e Lina Sparapan, 78, abriram seus álbuns de retratos ao jornal Pedaço da Vila para ilustrar uma Vila Mariana cheia de natureza e relação de vizinhança. Nas fotos, o então Córrego do Sapateiro corria livre pela hoje rua Maestro Callia: "Acompanhamos a transformação do bairro", contam as grandes amigas, que se mudaram para o pedaço quando se casaram para morar na então rua Santo Aleixo, hoje Augusto de Freitas (travessa da rua Pelotas).
As duas são amigas desde 1952. Vânia casou-se com Cide Arruda Camargo em 1951, morador da Vergueiro e filho de um dentista que tinha seu consultório na ainda elegante rua Domingos de Morais. No mesmo ano, Lina casou-se com Oswaldo de Souza Amaral, nascido na rua Pelotas. Um rapagão, conhecido pelos amigos como Tuna, que cresceu jogando futebol no campo da rua França Pinto e banhando-se no córrego do Sapateiro, que deságua no lago do Parque Ibirapuera (foto capa): "Quando casei e vim morar aqui, havia só mato pelas redondezas e a maioria das ruas eram de terra. Na rua Maestro Callia existia apenas uma pinguela para atravessar o córrego. Para facilitar o acesso de nossas filhas ao colégio Cristo Rei, abrirmos nós mesmos uma trilha’’, recorda Lina.
A rua Pelotas era repleta de chácaras de alemães e portugueses. "Eles deixavam seus animais soltos e cultivavam hortaliças. As crianças tomavam leite das cabras e tínhamos sempre verduras fresquinhas", recordam.
As senhoras confessam sentir falta daquela vida comunitária "Fechávamos a rua e, à luz de lampião, fazíamos animadas festas juninas. Todos se davam bem, havia um espírito muito grande de vizinhança", ressalta Vânia.
As transformações começaram no final da década de 50. "O córrego foi canalizado". O Jardim Record, como era chamada a área que abrigava as fábricas de cera Record e Parquetina, foi loteado pela família Basille. Novas ruas se abriram - como a Travessa Humberto I e a rua Hildebrando Thomás de Carvalho - e novos moradores chegaram.
O bairro cresceu na mesma proporção da amizade de Lina e Vânia - que ao ficar viúva de Tuna, mudou-se para a rua Bagé. Elas se encontram quase que diariamente, vão ao teatro, passeiam e se animam ao relembrar a vida da Vila Mariana do passado. Disposição e astral é que não faltam nas amigas: " Não gostamos dessa coisa de terceira idade!".
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seu blog esta de mais!!! PARABENS FE!
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