RESUMO: O presente texto estuda a cobertura escassa de matérias relacionadas à América Latina no caderno cultural Ilustrada pertencente ao grupo Folha de São Paulo. O estudo baseia-se em dois eixos de análise: o sócio-histórico- cultural e os aspectos jornalísticos. Sob o ponto de vista dos processos históricos percebe-se que no continente sul-americano há uma divisão social que separa a “América Latina Oficial” da “América Latina popular” que se mesclam e diferenciam, convivem e antagonizam. Para explicar a situação de esquecimento da América Latina na grande imprensa serão abordados os seguintes assuntos: o contraponto da globalização no sistema neoliberal e a pluralidade cultural, sistemas de comunicação transnacional em que fatos ocorridos no continente passam por um filtro ideológico dos países desenvolvidos que seguem a lógica mercadológica
PALAVRAS-CHAVE: Globalização, Colonialismo, América Latina, Imprensa, Indústria Cultural.
Embora existam muitas semelhanças no processo de enfrentamento histórico e dependência econômica nos países latinos americanos tais como: imposição da cultura Européia, migração dos negros da África, raízes indígenas, os aspectos comuns entre essas nações não são reconhecidos nem compartilhados por seus habitantes. O cenário de subordinação possui origens no período de colonização e posteriormente nas oligarquias nacionais até atingir os processos ditatoriais internos. Segundo Octavio Iannni, a história da América Latina é uma história de lutas sociais. Um momento de acirramento desses conflitos foi durante a Guerra Fria onde estouraram uma sucessão de episódios de guerrilha; Che Guevara aventurou-se pela selva boliviana, os sandinistas chegaram ao poder na Nicarágua, em El Salvador travava-se uma sangrenta guerra civil, no Brasil, Chile e Argentina o regime ditatorial também deixou seqüelas irreparáveis. Embora a história desses países sejam tão semelhantes, não possuem força suficiente para integrar essas nações que enfrentam problemas tão similares, nesse âmbito cabe uma análise do papel dos media no continente latino-americano. Como será visto a seguir.
A população latino-americana só desperta interesse na grande imprensa, tanto a nacional como a mundial, em situações negativas como: tragédias, violência, desastres naturais, o que reforça o caráter periférico do continente. A cobertura da imprensa oficial brasileira referente aos países latino-americanos retrata as elites, age de acordo com os interesses mercadológicos e passa uma visão que não corresponde à realidade, excluindo a América Latina da cultura popular, das lutas sociais.
Mesmo diante do contexto de Globalização e comunicação instantânea o espaço para a América Latina na grande imprensa continua escasso. Como explicar essa contradição? O caráter capitalista dos detentores das empresas jornalísticas não está isento dessa questão, no entanto, não são os únicos culpados pela situação inverossímil no tratamento dado ao continente pelos medias; razões históricas como a formação de nações antagônicas dentro da nação latino-americana, características nacionais e o preconceito também fazem parte da temática. Do ponto de vista jornalístico não se pode deixar de mencionar as complicadas relações de trabalho, a influência do modelo norte-americano de fazer Jornalismo bem como a relação de dependência e subserviência dos países desse bloco geográfico aos padrões internacionais de comunicação.
No caso específico do trabalho realizado pelo caderno Ilustrada, é importante ressaltar que desde 1958, ano em que circula o primeiro número do caderno, muitas transformações gráficas e editorias ocorreram, refletindo os distintos momentos históricos das décadas que incluem a predominância do modelo jornalístico norte-americano com matérias objetivas e concisas proveniente das agências internacionais. Posteriormente na década de 70, o caderno passa por um processo de atualização e tornou-se influente na política brasileira, disposto a provocar discussões. Nessa época o leitor era chamado de ‘’leitor-cidadão’’, caracterizado por possuir uma postura de preocupação com as questões políticas. No início dos anos 90, a Ilustrada incorpora as mudanças da história do Brasil. O leitor passa a ser chamado de “leitor- consumidor’’ tornando-se mais individualista e preocupado com temáticas do universo hedonista e o suplemento passa a ter um caráter de prestação de serviços, indicando para o consumo, deixando para trás as preocupações de ordem social.
Depois de realizadas essas discussões preliminares, abordarei os seguintes temas: os aspectos históricos culturais que reforçam o caráter de defasagem da cobertura da América - Latina na grande imprensa, a dependência econômica dessas nações latinas, a influência do “American Way of life”, a divisão entre “América-Latina Oficial” e “América- Latina Popular”. Em seguida serão abordadas as questões que dificultam esse processo integrativo do continente por parte da grande imprensa sob a égide das questões jornalísticas, como a formação desses profissionais, a dinâmica das relações trabalhistas num contexto marcado pela globalização dentro do sistema neoliberal.
Aspectos histórico culturais do continente
A escassa e defasada cobertura feita pela grande imprensa Brasileira pode ser explicada sob a égide de muitos aspectos que norteiam a história da sociedade. No continente, o processo histórico das nações estabeleceu sociedades civis enfraquecidas e dominadas por forças hegemônicas. O enfrentamento e a dependência econômica são fatores comuns entre essas nações, no entanto, eles não são reconhecidos por seus habitantes. Como explica Darcy Ribeiro: “A unidade geográfica jamais funcionou aqui como fator de unificação porque as distintas implantações coloniais das quais nasceram às sociedades latinas coexistiram sem conviver ao longo dos séculos’’(RIBEIRO,1986: 55).
Apesar dos processos de independência das metrópoles, os Estados formados no século XIX não alteraram a estrutura de poder, continuam dependentes economicamente de outras nações; fator esse que dificultou as tentativas populares de transformação que na maioria das vezes foram reprimidas de maneira atroz. Uma das conseqüências dessas tentativas malogradas de mudanças tem sido a legitimação pelo Jornalismo da História dos vencedores em detrimento dos vencidos. Essas nações latinas tornaram-se subalternas ás potências estrangeiras antes européias como França e Inglaterra, e, posteriormente, os Estados Unidos que em alguns casos se utilizavam da força militar e em outros optavam pela dominação cultural, fortalecido pelos veículos da grande imprensa, que nos países da América - Latina representam os interesses e a ideologia da burguesia dominante, como será visto nos capítulos a seguir.
Americanização
O processo de americanização do Brasil inicia-se com forte expressão, sobretudo no período após a Segunda Guerra Mundial. Os estadunidenses usaram todos os recursos para seduzir mentes e corações dos brasileiros motivados, sobretudo pelo avanço nazista no Atlântico e assim fazer do Brasil um aliado contra o Eixo (TOTA, 2000). A preocupação norte-americana ocorria porque o continente vivia uma onde de governo nacionalistas que tiveram origem no processo de queda das repúblicas latino-americanas após a crise de 1929. Diante desse contexto, devido à posição geográfica estratégica do Brasil, fazia-se necessário a aproximação entre os dois países, tiveram importância às estratégias utilizadas pelo magnata norte-americano Nelson Rockefeller que priorizavam o processo de sedução ideológica em detrimento do artifício de intervenção como explica Tota: “Era fundamental, portanto, que o Brasil se tornasse aliado dos Estados Unidos na luta contra o nazismo. Nelson Rockefeller vislumbrava que a tomada de posição do Brasil não se daria pela intervenção, mas pela sedução” (IDEM, 2000: 76)
Como estratégia do processo de convencimento, o magnata criou uma agência chamada Office of Inter American (OCIAA) cujo presidente norte-americano em exercício conseguiu implantar a política da boa vizinhança e trouxe o Brasil como aliado na guerra contra o eixo. O plano da agência para a sedução consistia no uso de rádio, cinema e revista que difundissem no Brasil o desenvolvimento econômico e cultural norte-americano; mais do que isso, divulgar a idéia de que o modelo norte-americano deveria ser um paradigma a ser seguido.
Uma das conseqüências desse processo de sedução ideológica fundamental para explicar a ausência da América - Latina na cobertura da grande imprensa é que paralelamente a esse processo ocorria o desenvolvimento dos meios de comunicação no Brasil. Assim, foi natural que o Jornalismo que se fortalecia em solo brasileiro ora pelo rádio, ora pelo cinema, fosse formatado e copiada do modelo norte-americano, a influência do modelo nascente no processo de americanização é tamanha que perdura até hoje. O uso constante de jargões jornalísticos como lead e teaser são exemplos notáveis da predominância do modelo norte-americano.
A força do departamento de imprensa de Rockeffeller era tamanha como explica Tota:
“A estratégia propagandista da Office incluía a publicação de brochuras, panfletos e revistas. Dentre estas, a mais difundida foi Em Guarda, revista do estilo da Life Magazine (1940). A revista veiculava uma imagem dos Estados Unidos como fortaleza da democracia continental. A divisão da imprensa era uma das maiores do Office, tinha cerca de duzentos funcionários trabalhando em tempo integral. Exerciam quase todas as funções, desde o envio de radiofotos para a maioria dos jornais do Brasil até na colaboração na distribuição de documentos oficiais, discursos e panfletos’’ (Tota , 2000: 70.)
Outra revista muito influente na época era a Seleção do Reader’s Digest, publicação que visava conquistar o brasileiro a celebrar o American way of life levando as pessoas ao consumo demasiado de eletrodomésticos, assimilação de termos e expressões em Inglês e muitos costumes passaram a ser incorporados através da produção cultural norte-americana. O cinema e as transmissões radiofônicas ditavam o modo de vida das pessoas que procuravam seguir os padrões do que era por eles transmitidos.
Os meios de comunicação serviram como estratégia principal para o processo de americanização do Brasil, reforçando o quadro de afastamento da grande imprensa brasileira às questões relativas aos países latinos, bem como sua cobertura defasada, muitas vezes produzidos de maneira transnacional, condicionando os fatos locais às demandas e interesses internacionais.
América Latina Oficial e América Latina Popular
A divisão entre essas duas nações pertencentes à América Latina tem origens no processo de colonização ao qual foram submetidos esses países. A América Latina Oficial burguesa seria herdeira direta dos privilégios do colonizador e a América Latina Popular seria o “caldo formado” durante o processo de colonização, passou a ser considerada a periferia, o subalterno, a violência, a barbárie, o mestiço.
Essas nações latinas que se mesclam e diferenciam, convivem e antagonizam desde tempos coloniais perduram até hoje. As elites da América - Latina Oficial por mais subordinadas que sejam que sejam as elites dos países centrais do capitalismo, tomam vantagem na medida em que essa posição lhes dá condições de manutenção de poder local, mesmo que em menores proporções. Nesse processo de subserviência, a Grande Imprensa funciona como aliada reforçando esse caráter de opressão. O discurso possui grande importância nesse processo já que o colonizador cria e reforça mitos, segundo Memmi: “O colonizador usa o discurso da desqualificação para justificar a prática da ocidentalização e civilização” (MEMNI,1989:27 )
O colono de tempos de outrora se tornou o cidadão da América Latina Oficial e o colonizador seria a América Latina Popular, notada pela grande imprensa em situações de interesses específicos. Esse processo denomina-se colonialismo interno, no qual a nação popular fica submetida aos “colonizadores”integrantes da nação burguesa oficial e estes são os leitores, produtores e financiadores dos meios de Comunicação.
Na América Latina, a nação burguesa domina os veículos comunicacionais, isso ocorre porque os capitalistas proprietários destes pertencem à classe dominante. Os jornalistas, na maioria dos casos passam a seguir as diretrizes de seus proprietários que excluem a América - Latina Popular, e o público-alvo destes, não se encontra nela, as notícias publicadas pelos jornais são voltadas à América - Latina Oficial, pois são estes cidadãos que podem comprar os produtos anunciados nos jornais, e no caso específico do Jornalismo cultura, l usufruir dos produtos culturais por eles divulgados.
Essa divisão é necessária para explicar a ausência de informações e a banalização noticiosa da América - Latina na grande imprensa brasileira. Fica nítido que o Jornalismo é feito pelas camadas mais altas para as mais baixas contribuindo assim para o afastamento das diversificadas esferas sociais, reforçando o caráter de opressão e exclusão das classes subalternas e apresentando entrave ao processo de integridade entre as nações latinas.
A Globalização e a falta de espaço da América Latina na grande imprensa brasileira
Em um contexto onde as relações de tempo e espaço foram encurtadas, as barreiras geográficas quebradas e faz-se possível saber de tudo que ocorre nos quatro cantos do planeta, é impensável imaginar como conhecemos tão pouco a respeito das particularidades culturais dos países-latinos, nossos vizinhos. Até ponto os países estão interconectados? Que ‘’globalização’’ seria essa, de mercados apenas?
Como explica Maria Nazareth: “A realidade do avanço da conjuntura neoliberal cuja mais clara manifestação é o recente processo de globalização do planeta afeta de maneira profunda todas as atividades humanas’’ (NAZARETH, 1997, p.2), a autora afirma ainda que o mercado tornou-se o novo Deus que possui na técnica seu principal sacerdote” (NAZARETH, 1997, p.4). No âmbito midiático as afirmações da autora fazem muito sentido já que, o público-alvo da grande imprensa são aqueles cidadãos que tem condições de consumir os produtos anunciados nos media , encontram seu cotidiano e os lugares que costumam freqüentar retratados nas páginas dos jornais. Dessa forma, todos aqueles que não são escolhidos pelo mercado tornam-se excluídos da cobertura feita pela grande imprensa. O resultado é o empobrecimento cada vez maior dos elementos identitários locais, deixando a míngua traços que compõem a identidade cultural da “América Latina Popular”.
Aspectos jornalísticos
No presente artigo já foram abordados os aspectos histórico-culturais responsáveis pela distorcida cobertura de assuntos referentes á “América Latina Popular”. Depois de realizar essas discussões preliminares aponto as questões que permeiam o universo jornalístico. Dentre elas, as difíceis relações trabalhistas da categoria, o mito da imparcialidade, a freqüente dependência de notícias provenientes do eixo Europa e Estados Unidos e quais critérios são considerados para abordagem ou exclusão de determinadas temáticas.
De acordo com o sociólogo francês Pierre Bordeau, jornalistas influenciados por sua visão de mundo e sua formação acabam escolhendo algo que lhes pareça peculiar. A esse tipo de comportamento o autor utilizou uma metáfora cuja denominação explica o procedimento utilizado pelos comunicólogos. Segundo o sociólogo: “Os jornalistas têm óculos especiais a partir dos quais vêem certas coisas e não outras; e vêem de certa maneira as coisas que vêem. Eles operam uma seleção e uma construção do que é selecionado” (BORDEAU, 1997 p .67) A formatação desses óculos inclui os processos históricos aqui descritos: a herança colonial que coloca os países latinos em uma condição de inferioridade e subalternidade, a americanização e a ligação excessiva dos jornalistas aos interesses dos cidadãos pertencentes a “América - Latina Oficial”.
O público dos jornais da grande imprensa brasileira, bem como seus proprietários, fazem parte desse bloco dominante do continente: suprimem do discurso ou relegam a condição de inferioridade o popular, o subalterno. No entanto, seus proprietários afirmam que a Grande Imprensa volta-se para o público-latino em sua integralidade e pluralidade.
Segundo o jornalista e professor Alexandre Barbosa em sua tese de mestrado A solidão da América Latina na grande Imprensa Brasileira, 2005 um dos fatores que contribuem para a ausência latina no noticiário imprensa brasileira, tem a mesma explicação dos fatores contribuintes para a ausência de matérias sobre bairros mais humildes em São Paulo, como já foi explicado anteriormente o que impera nesse caso na escolha das pautas são acontecimentos negativos.
A comunicação possui papel de construtora e mediadora da realidade dando poder a determinadas esferas sociais e relegando outras ao esquecimento. Como explica Guareshi:
Não seria exagerado dizer que a comunicação constrói a realidade num mundo todo permeado de comunicação - um mundo de sinais-num mundo todo teleinformatizado, a única realidade passa a ser a representação da realidade num mundo simbólico, imaterial. Isto é tão verdade que na linguagem do dia-a-dia já se podem ouvir frases como estas: Já acabou a greve, deve ter acabado, pois o jornal não diz nada ou a televisão não mostra nada. A conclusão a que chegamos é a de que uma coisa não existe ou deixa de existir, á medida em que é comunicada, veiculada. É por isso, conseqüentemente que a comunicação é duplamente poderosa: tanto porque pode criar realidades, como porque pode deixar que existam pelo fato de serem silenciadas (GuareshiI, 1992 :138)
No caso do Jornalismo cultural, quando algum cantor, grupo de teatro ou produção cinematográfica ganha prêmios no circuito internacional passa a ser noticiado pela grande imprensa. No caso específico da Folha de São Paulo em seu suplemento cultural Ilustrada, “a partir de 1981 quando nasceu o Projeto Folha, o elevado grau de politização dos jornalistas foi substituído pela ênfase na parte técnico-jornalística que transformaram a redação em um parque industrial com direito a linha de produção em série e programa de metas” (GONÇALVES, 2008 p.298).
Segundo explica o jornalista José Arbex “A notícia se tornou uma mercadoria destinada a gerar lucros” (ARBEX,2001, p.100). Devido ao ritmo veloz dos grandes centros urbanos, os textos precisam ser mais concisos em nome do tempo do leitor que nunca foi tão escasso. O resultado são coberturas sem aprofundamento e contextualização que muitas vezes confundem-se até com entretenimento atreladas ao agendamento previsível da grande imprensa que reproduz eventos de identidade cultural popular de maneira sazonal, restringindo a cultura a um pequeno e elitizado universo daqueles que compõem a “América-Latina Oficial”, desmistificando a noção de que o Jornalismo cultural possui como objetivo primordial o despertar do censo crítico no leitor.
Em um país subdesenvolvido como Brasil em que a cultura é tão esquecida e restrita, mudanças estruturais na dinâmica do Jornalismo cultural são necessárias para minimizar os efeitos nocivos que a unilateralidade das elites provoca no âmbito da pluralidade cultural latino-americana, reforçando a mesma lógica que separava os colonizadores dos colonizados. A subalternidade e relação de dependência parecem nada ter mudado o desde o momento da chegada dos Europeus no continente. Grande parcela de culpa nesse contexto tem origens no falho sistema educacional brasileiro que pouco se preocupa em abordar questões relativas aos nossos vizinhos latinos. São muitas as diferenças que separam o continente dos países centros do sistema capitalista, mas para trilhar o caminho que leva ao desenvolvimento econômico e social faz-se necessário respeitar e conhecer a fundo as diversificadas e ricas manifestações culturais. É um passo importante nesse processo de integração do continente , processo esse que deve contar com a participação dos meios de comunicação cuja função deveria incentivar esse processo integrativo e não colaborar para reforçar as disparidades entre as elites e classes subalternas.Visto que um das funções principais dos media é a disseminação da informação de maneira universal, sem distinção de raça, credo ou posição social.
Considerações Finais
A separação existente no continente tem sido arbitrária no quesito integrativo tão postulado na região. No entanto enquanto os veículos da grande imprensa estiveram regidos sob a égide da tirania da informação que esmaga as culturas e folclores locais pela força das culturas homogeneizantes o caráter de ausência e cobertura distorcida do universo latino-americano continuará predominando nessa área geográfica.
Diante das inquietações aqui abordadas, desde aquelas que permeiam o eixo histórico-cultural como aquelas que norteiam o campo comunicacional cabe ressaltar que mais importante do que conhecer as últimas tendências do cinema, da música norte-americana ou acompanhar através das páginas diárias dos jornais culturais da grande imprensa reportagens superficiais, preocupadas com a formação de um público de consumo, essas páginas deveriam estar atentas em fazer uma cobertura a respeito da pluralidade cultural, encontrada nos países latinos.
Talvez quando as classes subalternas da América Latina livrarem-se dos anos de opressão, tanto exógenas quanto endógenas, comecem tardiamente a recuperar um pouco dos séculos de exploração que sofreram. Será uma batalha, e com um inimigo há muito conhecido: a grande imprensa que aos poucos está enterrando o passado e o que é pior esmagando de maneira atroz às tentativas que essas classes subalternas tentaram de ganhar espaço em suas páginas, já que pendem notoriamente para o lado em que as relações mercadológicas são favorecidas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ARBEX JR, José. Showrnalismo: a notícia como espetáculo. São Paulo: Casa Amarela, 2001
BARBERO, MARTÍN. Dos Meios ás mediações. Rio de Janeiro: UEFRJ,2002
BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Seguido de A influência do jornalismo e Os Jogos icaOlímpicos. Trad. Maria Lúcia Machado. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
GUARESCHI, Pedrinho A. (Org.) Comunicação e controle social. Petrópolis: Vozes, 1991.
IANNI, Octavio. O labirinto latino-americano. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1993
GONÇALVES, Marcos Augusto. Pós Tudo-50 anos de cultura na Ilustrada. São Paulo 2008
MEMMI, Albert. O retrato do colonizado precedido pelo retrato do colonizador. 3. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1989.
NAZARETH, Maria. Globalização e identidade cultural na América – Latina. São Paulo:Celacc/ECA,1997.
________. (Org). América Latina, a imagem de um continente na escola e nos meios de comunicação. São Paulo: CELACC/ECA, 1997
TOTA, Antonio Pedro. O imperialismo sedutor. São Paulo: Companhia das Letras, 2000
Tese:
BARBOSA, ALEXANDRE. A solidão da América Latina na grande imprensa brasileira. Tese de Mestrado-Universidade de São Paulo, 2005.
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