quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Artesanato-Ilhabela

Criatividade e muito talento é o que não falta às habilidosas mãos dos artesãos de Ilha Bela que conseguem através de seu trabalho mostrar aos turistas fragmentos de elementos da cultura local de Ilha Bela talhando com matérias primas simples cada detalhe que irão compor peças diversificadas. A produção artesanal não perdeu seu espaço diante dos avanços da modernidade e tem se adaptado as condições atuais utilizando outras matérias-primas além de representar importância econômica e cultural para a região.

Exclusividade

Pelos dedos de Luís Carlos Gonzagua Cardoso mais conhecido com carioca matérias-primas simples como latinhas de refrigerante, fios de telefones, garrafas pet, latinha de desodorante, coquinhos palitinho de churrasco, e de dente são transformados em variadas peças, mas o forte mesmo de carioca são as balsas que realiza baseadas em fotografias ; uma reprodução fidedigna em miniatura delas. Impressionante é percepção detalhista do artista, basta observar atentamente a peça que irá ler a seguinte frase’’Capacidade para 48 veículos’’ e a parte em amarelo que segundo ele é a casa da máquina da balsa. Pela riqueza de detalhes imagina-se que Luís passou horas observando a balsa, mero engano. ‘’Atravessei apenas 2 ou 3 vezes , gravei um pouco na memória e depois fui aperfeiçoando ‘’confessa. A produção delas é sempre feita em série, geralmente são executadas 10. Inicialmente começou a fazer chaveirinhos, imãs de geladeira até perceber que ninguém fazia balsas, aí resolveu fazer a primeira e o sucesso foi tanto que não parou mais. ‘’Hoje o pessoal vem de fora para buscar as peças’’, afirma. O sucesso com elas levou-o a aumentar sua produção fazendo também variedades como o farol e a canoa com o pescador todos encontradas no Espaço do Artesão do qual ele é cooperado.

Sua história com o artesanato começou cedinho e talvez seja uma herança de seu pai que era marceneiro. Quando tinha por volta dos seus 13, 14 anos aprendeu a lidar com as ferramentas. ’’ Inclusive o rapaz que me ensinou a mexer com elas estava fazendo um trabalho comigo e disse que morreria e não conseguiria concretizar o trabalho e foi o que realmente aconteceu’’, explica. Seguindo os passos de seu pai abandonou Olinda, sua terra natal e veio para Ilha Bela trabalhar como Marceneiro onde ficou por 15 dias posteriormente mudou-se para Aparecida e retornou a Ilha Bela, pois recebeu uma proposta de trabalho, mas não deu certo e Carioca passou necessidades, chegou a dormir na rua e passou fome até que conseguiu arrumar dinheiro para alugar um quarto e iniciar a reconstrução de sua vida , começou a fazer bicos, casou-se, mas teve um acidente no pé aí resolveu dedicar-se ao Artesanato e vem sobrevivendo. ’’Ainda não dei a volta por cima, pois passo ainda muito aperto porque brasileiro não dá muito valor para o artesanato, o pessoal de fora dá mais valor’’. Em seu ateliê que é sua casa Carioca passa 10 horas trabalhando e faz cerca de 15 peças por mês.



Ele é daquelas pessoas que tem um espírito de coletividade movido pelas dificuldades que já passou ao longo de sua vida tem o sonho de montar uma escola para tirar as pessoas da rua e dividir seu conhecimento. ‘’Afinal ninguém nasce sabendo, alguém tem que ensinar alguma coisa’’






Arte nas garrafas


No bairro de São Pedro divide espaço com a casa de farinha a arte de Dalma Garcia dos Santos de Assunção, 38. O ambiente é agraciado com o colorido dos desenhos feitos nas garrafas em massa corrida e depois pintados com tinta látex e tinta de gesso.

Dalma aprendeu a pintar sozinha há 4 anos atrás quando passou por uma operação e seu envolvimento com a arte é tão grande que até sua geladeira é decorada com suas próprias mãos, dando um toque muito pessoal ao local. Quando perguntamos sobre suas expectativas para o futuro a artista nos disse que pretende abrir um ateliê e a idéia é tão pertinente que até o nome ela já tem’’Ateliê Dami das garrafas’’.


Espaço do artesão
Ponto de passagem obrigatório a todos aqueles que desejam conhecer um pouco da cultura local através das obras dos artesãos. Lá é possível encontrar embarcações, velas, colares, brincos, bolsas, quadrinhos náuticos, peças de madeira, guardanapos, uma diversidade de cores, formas que deixa nítida o toque pessoal de cada artista. Mesmo com toda essa versatilidade capaz de agradar os mais diversificados gostos há um ponto em comum que é a reutilização de sobras da natureza criando objetos que remetam a cultura local.O espaço funciona em esquema de cooperativa onde ocorre um revezamento e cada cooperado faz seu plantão de 4 horas, ao todo são cerca de 30 integrantes.
Fomos recebidos por Waldemar Barbosa um dos sócios do Espaço do Artesão nascido e criado no município arquipélago está em terras ilhabelenses há 57 anos . Começou com a arte por curiosidade quando era garoto, comprava uma máquina daqui outra dali, possui bastante máquina, máquina hobbie para fazer artesanato para fazer os barquinhos, martelinhos, canhões da ilha, os quadrinhos náuticos, mas agora ele ficou sócio da lojinha quanto mais artesanato fizer melhor. Suas principais produções são : barcos típicos de pesca todo de madeira feito em casa, a maioria das peças são feitas de madeira só a bandeira que é de papel, ele não gosta de colocar resina porque tira um pouco o valor. ‘’Uma peça demora 1 semana para ser feita porque a gente tem outras coisas para fazer, se viver só de barcos ficamos a ver navios ‘’.

Nem sempre ganhou o pão com a habilidade de suas mãos. Trabalhou como embarcado que são navios da Petrobras em alto-mar depois aposentou em 1997 aí começou a fazer só artesanato, mas já fazia antes e comercializava.

Não dá para viver só com o dinheiro do artesanato, ele é aposentado desde 1997 então tem seu salário, seu plano médico devido a sua vida anterior. ’’ É um hobbie, mas ajuda, não vive disso mais ajuda e ajuda a mente ’’. Quem compra mais são turistas não os gringos, ele tem vendido muitos barcos agora naquela época do ano sem gringo, sem navio, sai muito, os barquinhos vendem muito. Preços: 200,00 menorzinho por 90,00 ali é típico de pesca é uma traineira, tem os barcos de esporte, os barcos de mergulho , tem um veleiro com velas de madeira que já vendeu ‘’É tudo feito em casa, eu não compro nada para colocar, a única coisa que eu coloco é a corda’’. Tem que ter o barato e o mais sofisticado o baratinho deve compensar o maior.


Habilidade e Consciência social


Conhecido por seus belos barquinhos montados com uma pinça dentro de garrafas que paralisam os olhos principalmente das crianças, Luís Alberto Suñiga nos recebe em sua casa onde tem o privilégio de trabalhar rodeado pelos encantos da natureza. A frente de sua residência podemos avistar o mar e no quintal o cair das águas cristalinas de uma cachoeira.Uma combinação mais do que agradável a inspiração de um artista.


Nascido em Santiago no Chile Luís saiu de sua terra natal aos 20 anos de idade, foi para Bolívia onde ficou por 4 anos. Antes de viver do artesanato ele era cozinheiro marítimo e nas férias que teve veio para São Paulo na casa de um amigo em Perdizes aí em um domingo foi conhecer a feira de artesanato e artes do MASP e de tão vidrado que estava com o que via empolgou –se com a idéia de fazer algumas peças e resolveu no dia seguinte comprar ferramentas, motorzinho, pinça comprida, nessa época ela tinha 30 anos. Esse foi o motim, mas a simpatia de Luís pelas Artes é muito mais antiga quando tinha apenas 8 anos de idade ele fez um jogo de cozinha para sua mãe nas aulas que tinha da matéria Artes Manuais e aos 10 anos adorava fazer barquinhos bem rústicos de madeira. ‘’Começou como uma espécie de terapia ocupacional, hoje é meu ganha pão’’, explica. Aprendeu tudo sozinho e diz que hoje tem condições de fazer qualquer modelo.

Faz 31 anos que Luis está em Ilha Bela.Inicialmente foi morar no bairro do Perquê e nessa época fazia alguns barquinhos , remos somente como hobbie. Atualmente sua relação com o Artesanato mudou e passou a ocupar um espaço muito maior em sua vida. Esse talentoso artesão sofria de Diabete e devido à doença começou a ter problemas de má circulação e infelizmente perdeu as pernas. Após essa perda não tinha mais condições de trabalhar como antes, aí então resolveu dedicar-se plenamente a arte de talhar com as mãos. ‘’Hoje em dia tenho muito mais condições de fazer coisas do que quando eu tinha 2 pernas’’, revela.

Luís fica tão concentrado com a produção que ele quase não sai de casa, apenas uma ou duas vezes por mês, o pessoal sempre o encontra em seu domicílio porque ele está trabalhando. Os barquinhos são produzidos em série. ’’Nunca faço menos de 10 em garrafa grande e nunca menos de 5 em garrafa menor’’. O barco dentro da garrafa é um tipo de quebra-cabeças. Primeiro ele dá o formato, depois as peças são descoladas, trabalhadas, verniçadas, pintadas depois são colocando peça por peça dentro da garrafa, é feita a limpeza com Bombril e arame e o último procedimento é a quebra de um pedaço de imã que é jogado dentro da garrafa e depois choacolhado para evitar que permaneçam lascas de Bombril que venham a enferruchar com o tempo.


Para ele Ilha Bela é um lugar lindo, maravilhoso. ’’Se tem um lugar do paraíso no mundo é aqui’’, explica. Mas em relação a seu trabalho existe um problema, trabalha-se muito durante para vender na temporada que dura apenas 3 meses então acaba não sendo suficiente para se manter durante o ano todo. ‘’Mas para mim o mais importante é que posso trabalhar’’. Luís tem em mente a concretização de um projeto social em parceria com a prefeitura com o objetivo de dar um curso de Artesanato e Marcenaria para um grupo de 15 a 20 crianças carentes.

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