Quando os primeiros japoneses desembarcaram no Brasil trouxeram na bagagem centenas de hábitos que aos olhos dos brasileiros pareciam bem estranhos. Imagine só a cara dos paulistanos quando se depararam pela primeira vez com um nissei comendo de pauzinhos (famosos hashis). Um tanto quanto estranho não? Na época sim, mas hoje passados100 anos da chegada do primeiro navio( Kassato Maru) com imigrantes japonês, a cultura e os hábitos da terra do sol nascente tornaram-se bastante habituais por São Paulo, cidade que abriga o maior número de japoneses fora do Japão e concentra grande parte dos marcos dessa cultura no bairro da Liberdade. Bem, quando o assunto é paladar, a região não deixa nenhum pouco a desejar.O que não faltam são opções que não apenas enchem a boca de vontade como também remetem os olhos a terra do sol nascente.Uma das delícias oriundas do Oriente é o famoso pastel e um dos lugares da Liberdade que é especialista nessa delícia gastronômica é pastelaria Yoka , sinônimo de tradição e muita qualidade entre os moradores do bairro e também das mais distintas regiões da cidade.
Nada como literalmente colocar a mão na massa em família para alcançar o grande sucesso que fazem os pastéis da famosa pastelaria Yoka. A receita começou com senhor Takashi Yokoyama, pai de Luíza Yokoyama, 51 atual proprietária do estabelecimento.Assim como muitos imigrantes ele veio primeiramente para a região de Mogiana, trabalhar nas lavouras de café. Após o período de contrato (geralmente 1, 2 anos), veio arriscar uma chance na grande capital paulistana.No ano de 1939 aprendeu a arte de fazer pastéis e a partir daí nunca mais parou.No início, ficou apenas trabalhando e aprendendo o ofício com a família Nakamura. Três anos depois, montou sua primeira pastelaria, mas que teve de ser interrompida em virtude da 2º Guerra Mundial.
Ao longo de sua vida, Takashi abriu e fechou muitas pastelarias, trabalhando sempre em família, o que permitiu aos seus descendentes o aprendizado do ofício.No começo não foi nada fácil.’’Meu pai sempre me contava que na época não tinha cilindro para esticar a massa, então tinha que usar madeira bem cumpridona para esticar’’, lembra Luíza. Além da falta de equipamentos, outra coisa que dificultava era a falta de ingredientes. Na época da Segunda Guerra Mundial havia muito hostilidade contra os japoneses, nem óleo, nem farinha que são básicos para confeccionar os pastéis eram vendidos para os japoneses.”‘Meu pai dizia que o jeito para conseguir era dizer que era chinês’’, revela a proprietária Luíza. Mas mesmo com todos esses obstáculos senhor Takashi nunca desistiu. A paixão pelo ofício e suas habilidades como comerciante sempre falaram mais alto”.Meu pai falava meio arrastado, mas mesmo assim ele se virava e se comunicava’’, explica Luíza.
Muito mudou de lá para cá na região da Liberdade.Segundo relata Luíza, o bairro era lotado de japoneses que geralmente vinham de chácaras trazer verduras para vender.Outra lembrança que não apaga de sua memória é o Cine Niterói, Cine Jóia e o Nippon, que freqüentava quase todos os finais-de semana com sua família.’’ Na época a colônia japonesa freqüentava muito o cinemas existentes na região, era uma maneira dos imigrantes matarem as saudades, por isso sempre ficavam muito lotados’’, lembra.Depois do metrô muita coisa mudou para melhor segundo ela.’’A gente vê que aqui é um bairro em quem vem pessoas de todos os lugares, tem turistas de outros países e também de outras regiões do país.’’.Outro ponto que agrada a nissei é o fato de muitas lojas não fecharem no feriado.
Luíza cresceu na região e dela não pretende sair tão cedo.O aprendizado e esforço de seu pai foram transmitidos para seus descendentes. Entre eles destaca-se Luíza que aprendeu muito bem todas as lições. Entre elas não apenas todos os princípios de uma pastelaria e sim também a garra a determinação aprendidas. Todo esse aprendizado resultou na pastelaria Yoka, aberta em 1996. Hoje, o local é um sucesso, chega a atender cerca de 100 pessoas por dia e já foi eleito pela revista Veja 9 vezes como melhor pastelaria da região desde sua inauguração.A receita para o sucesso é simples segundo Luísa, basta uma pitada de qualidade e umas colheres de esforço ‘’Eu sinto prazer de ver clientes que vem aqui há anos comer um pastel, e eu sei que essa pessoa não tem muitas condições mas faz questão de vir até aqui e detalhe sempre pede o mesmo recheio, uns querem sempre o de queijo, outros optam pelo de carne, outros pelo de palmito’’, relata entusiasmada.
Outra marca importante da casa é inovação que ganhou um sabor especial nas mãos de Jobson Ohno, filho de Luíza que assim como a mãe e o falecido avô tem também tem o dom para a gastronomia.Formado em panificação na faculdade Anhembi Morumbi começou a incrementar recheios na pastelaria e adaptar muitas coisas. Entre essas novas invenções podemos citar os pastéis com recheios orientais como o tofu e o shiitake que fazem parte da extensa e deliciosa lista do cardápio da pastelaria. De dar água na boca !
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