segunda-feira, 8 de junho de 2009

Negócios de família

No bairro da Liberdade nisseis como o administrador Paulo Mizumoto, 62 seguiram os passos de seus antepassados e ajudam a relembrar a história dos pioneiros na região.Atualmente, dono do mini shopping Stand Mizumoto na rua Galvão Bueno, Paulo recebeu nos para a entrevista em seu estabelecimento. O tempo do simpático nissei ficou dividido entre as respostas que deu a nossa equipe e os telefonemas que atendia.Entre uma interrupção e outra, as memórias do bairro da Liberdade vinham a tona. Houve até uma seção de fotos antigas para ilustrar essas lembranças!

A história da família Mizumoto em solo verde e amarelo teve início no ano de 1932 quando seu pai Tsuyoshi Mizumoto com apenas 12 anos de idade veio juntamente com sua família direto da região de Okayama tentar o sucesso por aqui.’’Naquela época havia muita propaganda do Brasil no Japão, era bastante convidativa e prometia-se uma vida melhor’’, explica Paulo.Com esse objetivo vieram para cá.e o destino inicial da família foi a uma fazenda na cidade de Bastos onde trabalharam nos cafezais e permaneceram até o tempo do contrato acabar.

Depois vieram para São Paulo e estabeleceram-se na rua Monte Alegre, onde abriram um uma tinturaria. Como os negócios andavam bem o senhor Mizumoto resolveu abrir uma loja em Pinheiros.Em 1960, mudou-se para a região da Liberdade e transferiu a loja .O comércio vendia produtos orientais porque na época o Japão exportava muitos artigos manufaturados(brinquedos, produtos de uso doméstico), aproveitando esse fato ele resolveu montar a loja.. Na época já havia uma concentração grande de japoneses no bairro então juntamente com alguns amigos (entre eles Senhor Hikesaki e senhor Tanaka, fundador do Cine Niterói), resolveram montar uma Associação de lojistas com o objetivo de tornar o bairro o que ele é hoje, um bairro oriental.

A Associação foi tão importante que existe até hoje, na época era chamada de Associação dos Lojistas da Liberdade. A partir de 1990 passou a chamar-se Associação Cultural e Assistencial da Liberdade (ACAL). A trajetória do pai de Paulo no bairro não parou por aí.Além da loja ele tinha também o cine Nippo, onde trazia filmes diretamente do Japão.E assim juntamente com o Cine Niterói do senhor Tanaka, os filmes além de integrarem a colônia que podia matar as saudades da terra do sol nascente também eram responsáveis por uma incrível expansão comercial na região.Havia também pensões que abrigavam muitos filhos dos primeiros imigrantes que vinham do interior para estudar, aumentando ainda mais o número de nipônicos no bairro.

O senhor Tsuyoshi Mizumoto sempre foi um homem muito atuante. Juntamente com seus amigos criavam movimentos, iam até a Prefeitura lutar por melhorias no bairro.’’Eles eram pessoas que abraçavam a ideologia e faziam acontecer’’ ressalta Paulo.Tanto é que no ano de 1973, nascia o bairro oriental da Liberdade, por iniciativa de Tsuyoshi, domiciliado no bairro, saudoso de sua pátria natal,mas também grato aos país que o havia acolhido e lhe dado a oportunidade de estabelecer-se dignamente com sua família. Sua intenção era juntar seus sentimentos e prestar aos dois países uma homenagem. Seu primeiro passo então foi procurar o professor Miguel Colassuono, então prefeito da cidade de São Paulo expor sua idéia de ornamentar as ruas com luminárias e jardins que lembrassem o Japão. O prefeito gostou e logo deu as ordens necessárias para que as principais ruas do bairro pudessem ter as características de um verdadeiro bairro oriental.

Sempre inovador senhor Mizumoto achou que a Praça da Liberdade, assim como, a praça da República, poderia realizar uma Feira de Artes e Artesanato, onde os imigrantes orientais.pudessem expor trabalhos típicos de suas regiões.Novamente procurou o prefeito que em novembro de 1975 inaugurou a Feira Oriental da Liberdade. Hoje depois de anos de existência a feira já se tornou um evento tradicional onde orientais, artesãos e artistas tem seu lugar garantido.

Seguindo os passos de seu pai Paulo Mizumoto trilhou sua vida.Formado em Administração e caçula da família, foi escolhido para ajudar o pai nos negócios. Começou em 1960 com a loja de produtos orientais e até hoje nunca mais parou. Pelo contrário só ampliou os negócios e hoje é dono do mini shopping Stand Mizumoto composto por cerca de 20 lojas dos mais variados produtos.Assim como seu falecido pai, Paulo gosta muito do Brasil e não pretende o deixar.’’Meu pai sempre dizia que o melhor lugar do mundo para viver é o Brasil, e ele conheceu o mundo todo viajando’’, confessa. Os olhos puxadinhos do níssei, a garra, a determinação e esforço com que encara os desafios não negam suas origens orientais, mais que o Brasil foi uma terra acolhedora, ah isso não resta sombra alguma de dúvida. E viva o Brasil de olhos puxados, uma combinação para lá de boa!

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